Resposta curta: a resposta honesta é "depende do comportamento de risco específico, e não é uma proteção uniforme". Este é o tema mais suscetível a exagero de todo o cluster de tênis e desenvolvimento humano, e vale a leitura completa antes de tirar qualquer conclusão.
Uma revisão sistemática de estudos longitudinais sobre esporte e uso de substâncias encontrou um padrão desigual: aproximadamente 80% dos estudos associam prática esportiva a menor uso de drogas ilícitas entre adolescentes. Até aqui, a narrativa popular parece confirmada. Só que a mesma revisão encontrou o oposto para álcool: cerca de 82% dos estudos associam prática esportiva a maior uso de álcool, não menor. Isso muda completamente a conclusão que se pode tirar: não existe um efeito protetivo geral, existe um efeito que varia, e em pelo menos um comportamento comum (consumo de álcool) vai na direção contrária à esperada.
Sobre delinquência, a meta-análise de referência (Spruit et al., reunindo 51 estudos e mais de 132 mil adolescentes) não encontrou associação geral significativa entre praticar esporte e nível de comportamento delinquente. Atletas não são, em média, nem mais nem menos delinquentes que não atletas. O efeito varia por modalidade: futebol apareceu associado a mais envolvimento delinquente em alguns recortes, enquanto beisebol e basquete não mostraram relação. A qualidade da relação entre o atleta e o técnico também parece influenciar mais do que a simples prática esportiva em si.
Frases como "esportista não usa drogas" ou "esporte evita criminalidade" não têm base científica sólida e não devem ser usadas para convencer uma família a matricular o filho em um esporte.
A qualidade da relação com o técnico, a supervisão adulta, e o tipo de cultura da equipe parecem pesar mais do que a simples prática esportiva. Escolher um ambiente bem conduzido importa mais do que escolher a modalidade.
Se o objetivo de uma família é reduzir exposição ao álcool na adolescência, contar com o esporte como proteção automática não é sustentado pela pesquisa disponível, pode até ser o oposto em alguns contextos sociais ligados ao esporte (confraternizações de equipe, por exemplo).
Antes de te indicar o melhor caminho, queremos entender sua situação.