Resposta curta: um estudo real e robusto (Copenhagen City Heart Study) associou o tênis ao maior ganho de expectativa de vida entre os esportes avaliados, 9,7 anos. É um resultado real, mas observacional, não uma garantia individual. Este guia traz os números exatos e o que fica de fora da manchete.
Schnohr et al., "Various Leisure-Time Physical Activities Associated With Widely Divergent Life Expectancies", Mayo Clinic Proceedings, volume 93, edição 12, 2018.
8.577 pessoas acompanhadas por até 25 anos, entre 1991 e 2017, parte do Copenhagen City Heart Study, um dos maiores estudos de coorte cardiovascular da Europa.
Tênis: 9,7 anos. Badminton: 6,2 anos. Futebol: 4,7 anos. Ciclismo: 3,7 anos. Natação: 3,4 anos. Corrida: 3,2 anos. Calistenia: 3,1 anos. Academia: 1,5 anos. Tênis teve o maior ganho entre todos os esportes avaliados.
É um estudo observacional e prospectivo, baseado em autorrelato de atividade de lazer, não um ensaio clínico randomizado. Isso significa que ele mostra associação forte, não prova experimentalmente que jogar tênis causa, sozinho, esse ganho de anos de vida. Fatores de confusão são possíveis: nível socioeconômico costuma ser maior entre praticantes de esportes que exigem parceiro fixo, clube ou quadra, o que pode inflar o resultado observado para tênis frente a esportes mais acessíveis como corrida.
Os próprios autores do estudo destacam algo relevante: esportes com componente social mais forte (que exigem parceiro ou oponente, como tênis e badminton) lideraram o ranking de ganho de expectativa de vida. Isso sugere que a interação social regular pode ser parte real do mecanismo, não apenas o exercício físico isolado, o que é uma nuance importante e raramente mencionada quando o número "9,7 anos" circula sozinho.
Um segundo estudo, de Oja et al., publicado no British Journal of Sports Medicine em 2017, acompanhou 80.306 adultos britânicos por até 14 anos e encontrou redução de 56% na mortalidade cardiovascular entre praticantes de esportes de raquete (razão de risco de 0,44), resultado comparável a natação e exercício aeróbico, e superior ao observado isoladamente para corrida, ciclismo ou futebol na mesma amostra. É outro estudo observacional, mas de grande escala, e reforça o padrão encontrado em Copenhague de forma independente.
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